Veja
se eu tenho condições de fazer uma crítica...tá
eu sempre faço críticas verbais e eventualmente auto-crítica
e é ela quem me diz:
Pára com isso, louca!
Já tinha tecido meus comentários venenosos muito antes do
teu e-mail com o pedido.
E sobre o filme digo que é bom, absurdo, diferente quase meigo
e tem menos gente feia no pedaço. Conta com uma apresentação
particular do Caetano para um seleta platéia de gente famosa e
inteligentíssima, da qual não faço parte, mas tive
de assistir porque paguei o ingresso e depois o filme continua legal até
o fim.
Graças a esse estupendo marketing, tenho lido que a última
temporada do Caetano nos Estados Unidos foi um sucesso e que não
estavam só brasileiros saudosos no evento. Isso, até saiu
naquele jornal do país, que além de ter o maior ego do mundo,
pretende acabar com o resto dele e nós, os mixurucas, chamamos
o presidente que eles elegeram de burro e estamos vingados..., até
que o Lula mostre o que pode fazer por nós ou não, como
diria o Caetano.
Quanto ao Almodóvar, podem me jogar pedras, mas que sejam tão
coloridas, dignas dos cenários de seus primeiros filmes: Eu ainda
acho MULHERES A BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS o melhor e, continuo sem
entender crítica que estabelece esse campeonato absurdo!
Já não chega o que fizeram com o Woody Allen? Tenho certeza
que foi de tanto anunciarem que aquele era o melhor "Woody Allen",
que seus filmes neuróticos que eu adorava, criaram vida e complexos
próprios e fugiram das telas do Brasil. Deu medo! Nunca vou perdoar
os críticos por isso, mas me vingo falando que para mim o melhor
"Woody Allen" é O DORMINHOCO.
Porque melhor filme de sei lá quem, é quando a gente descobre
o cara, e isto dá uma pista de que é alguém bacana,
e que a gente nunca mais deve perder de vista, neste caso perder nas telas.
Taí não perco nenhum Almodóvar desde Mujeres Al Borde
de Un Ataque de Nervios, até fiz o dever de casa e assisti aos
anteriores assim que encontrei.
Fale Com Ela é um ótimo Almodóvar e um programa que
eu indico, mas estou com pouco RAM mental para lembrar dos detalhes e
escrever coisas profundas, o que já me assinala que não
é o tal melhor filme do cara.
Quer saber de uma? Tô morrendo de medo que um dia eu defina Fale
Com Ela assim: é um filme sobre duas mulheres em coma e dois homens
sensíveis a ponto de apreciarem balé.
Acabo de lembrar que a Pina Baush também aparece. Tá pouco?
Tem também a Geraldine Chaplin com uma interpretação
soberba. Coisa boa que lembraram de tirar ela do baú. Amei isso
Pedro, obrigada!
Ela é uma adorável professora de balé chamada Katerina
Bilova e que tem as melhores citações da película.
Não vou tirar a graça e escrever qualquer uma delas, porque
desde criancinha eu não perdoô quem me conta o final do filme.
Corram para ver a Geraldine.
Agora que estou escrevendo, acho que gostei mais do que imaginava ou lembrava.
Estava com medo de só eternizar a cena do Caetano cantando Cucurucucu
Paloma.
Tem mais, achei que a Toureira dá uns ares com a Bethânia
no inicio da carreira.
Agora que vengan las pedritas cafonas de preferência as de vidro
com neve dentro. Rosebud para os cultos, olê!!!
Cristina Carriconde
Juro que entendo se você optar por um NÃO FALE COM
ELA e o ela, nesse caso sou eu!
Bem feito! Pediu e agora tem de ler, publicar já é outro
"causo".
Kledir,
eu tinha que te mandar esta declaração amor aos Almôndegas
que escrevi para meu primo ontem.
Espero que tenhas paciência para ler até o final e rir um
pouco com as lembranças desta pelotense que esta sufocada com o
calor infernal aqui do Rio.
Telefonei há pouco pra terrinha e a mãe me contou que esta
noite dormiu de cobertorzinho. Eu quase chorei de saudade... do cobertor
e por falar em cobertor...vai lendo....
Vais descobrir que fostes o muso da minha adolescência.
E o que relato, acho que aconteceu no verão de 1978. É Houve
um Verão na minha vida e o de 78 foi dos almôndega.
Lembro que depois desse nosso primeiro contato, fora de shows, só
te vi lá na Prefeitura de Pelotas acompanhando a votação
das "Diretas Já" que não passou.
Eu tava com fita amarela no braço e também vinha do show
da Blitz e mais uma vez fui solenemente "ignorada" pela sua
pessoa que já devia namorar a Virginia...
Nos anos oitenta isso já não era tão importante,
e eu por mera coincidência era amiga do Vítor.
E um pouco mais adiante morando em Florianópolis fiz um contato
com uma certa produtora onde encontrei o Gilney e depois de falar a sério
sobre o trabalho, caí na tietagem e foi um tal de meu tio João
pra cá, meu tio João pra lá que a conversa não
fazia mais sentido.
- Vem cá esse teu tio, é o tio João Carriconde meu
teu tio maluco irmão do meu avô, tão maluco quanto
ele????
- Sim! Tu é Carriconde, guria?
- Sim! Cristina Carriconde
- Eu também
sou!
Bem
o MEU tio João não era exatamente tio do teu companheiro,
mas eu SIM tinha acabado de descobrir que era parente mui distante de
um ex-Almôndegas.
Ah se soubesse disso naquele saudoso verão de 1978...
Pode ler e até mostrar pra Jubys.
Só que ela não vai entender nada, mas tenho certeza de que
até podemos ser amigas virtuais, porque sei tudo de icq
MSN e ainda trabalho com a dita cuja internet...
Evolui pacas, porque comecei com o mimeógrafo.
Ta velho coisa nenhuma, ta é com preguiça.
Pior do que tu, só o pai de uma amiga que pergunto pra ela:
- Que horas essa internet fecha?
Espalhei teu texto para a minha infinita lista de e-mails e se quiser
manda mais, que eu divulgo outras coisas.
Por falar nisso fui catar teu e-mail lá na home e NÃO ACHAS
QUE ESTA NA HORA DE ATUALIZAR???? O último CD do Vitor é
o Ramilonga! Credo! Tá de mal com teu irmão caçula?!?!
No Natal, vou ver se levo na bagagem as fotos que eu fiz do show do Vitor,
aqui no Rio e que sempre esqueço de fazer a prometida montagem
Seja
um pelotense valente! Coragem! Honre as bombachas e leia até a
última linha, esta confissão de uma adolescente de 16 anos,
isso em 1978...eu acho...
Agora sei que me conheces, porque até me cumprimentas nos shows.
Foi uma evolução e tanto, mas sei que não vais lembrar
da cara dessa atual quarentona. Cortei o cabelo. Removi o corte Cleópatra
dos pampas.
Detalhe...quando comento que fostes simpático no show do Teatro
na Senador Vergueiro, não é deboche.
E pode contar pra Jubys, que um dia fostes o Brad Pitt de uma geração
no sul!
Tenho
muito mais fotos do show. Muiiiiiiiitasssssssss
Gosto desta! Sei lá...achei poética...O artista sozinho
no palco...mas pode achar uma bosta, que eu não ligo!
Tem
essa outra em que eu amei os "Miojos" do cenário..Fala
sério Vitor...ficou lindona, não?
Agora
o e-mail para o Afonso
Querido
primo!
Cacei esta pérola hoje e resolvi te mandar de presente e como uma
homenagem pela nossa maravilhosa transição da infância
para a adolescência.
Se não fosse pelos Almôndegas a humanidade teria sido privada
do nosso talento musical. O "Plano Inclinado" talvez não
tivesse sido o sucesso que foi, e nem o meu "Aptº das Phylindringas"
teria participado do festival internacional de Canguçu, onde o
Fogaça era jurado e veio conversar depois porque GOSTOU. Eu não
teria cantado com outro grupo que saiu do mesmo evento, juntando o nosso
com sei lá mais quem, e que a única apresentação
oficial, foi em um festival no Grande Hotel onde eu, o Zebra, o Régis,
a Luciana, a Liz e o Zeca ( hoje um senhor seríssimo e implacável
Promotor Público da cidade de Pelotas, que atende pelo nome de
José Olavo dos Passos) nos apresentamos cantando Saudosa Maloca
e pasme "de nossa autoria" anunciou o apresentador, mas perdemos
vergonhosamente para um anônimo que cantou FEITICEIRA, FEITICEIRA....lembras?
Era o hit-brega do ano. Só que ele levava a coisa a sério
e eu e o meu grupitcho fomos expulsos do recinto... Não chego a
lembrar o que o Zebra aprontou. O tal festival, descobrimos na hora passeando
lá pelas bandas da Praça Coronel Pedro Osório e aí
fazia parte do grupo quem tava junto.
Na adolescência peregrinávamos pelas ruas de Pelotas à
noite como se fosse uma procissão. Eu fazia isso tudo, sem beber
ou usar drogas...
To feliz da vida...faz um tempão que estou caçando esta
e outras mp3 deles, porque os meus vinis estão em Floripa. Agora
preciso urgentemente cantarolar "...até não mais eu
resolvi partir, e foi depois que o galo repetiu..."
O Kledir sempre foi o meu preferido e sonho de consumo adolescente. Fui
a todos shows que estavam ao meu alcance, até um aqui no Rio onde
quase mandaram o Lima. Só estava no local eu, a Lu, o pai e a mãe...contrariadíssimos.
Eu ja tinha vindo de carro de Pelotas-Texas ao Rio, ouvindo todas as fitas
K7 que gravei para o evento e cantando junto. Somado a nossa presença
de 4 viventes, tinham duas meninas na platéia que eu acho que eram
namoradas de alguém da produção..foi aí que
o show foi cancelado não sei porque, mas na semana seguinte ainda
tinha uma apresentação....a última da estupenda temporada
e eu torturei o pai até convencer a ir outra vez na galeria em
que ficava o teatro na rua Senador Vergueiro aqui no Flamengo
- Pai vamô, eu juro que hoje vai ter gente, sempre tem no último
dia. Vai estar cheio de gaúchos e eu adooooooooooooro esse disco
Circo de Marionetes.
Não tenho a menor idéia de quantas vezes pronunciei isso
durante o dia ou talvez a semana inteira.
Convenci. Fomos. Estava sim com meia casa e TODOS adoraram. No final ainda
fiz pior, fui ao camarim pagar um mico básico e falar que era de
Pelotas e aí o simpático Kledir me olhou pela primeira vez
e deu um sorriso como quem pensa (grande merda).
O pai que é tímido, bufava de raiva no corredor e eu lá
avaliando os meus ídolos e achando pessoalmente o João Batista
LINDÍSSIMO. O fato é tão marcante que eu lembro que
usava um vestido cor de rosa tomara-que-caia de bandana com rendinha,
que hoje estaria na moda e ia me servir, porque nao cresci nada desde
então.
Dessa viagem ao Rio eu ainda tenho o trauma que conta com a solidariedade
da minha irmã, de ter de antes de chegar a Cidade Maravilhosa,
ficar hospedada em um hotel fazenda em Paty do Alferes ou Miguel Pereira,
porque o pai achou no Guia Quatro Rodas.
O Guia Quatro Rodas foi a Bíblia do Neco até ele descobrir
que o avião ja tinha sido inventando e que a Europa ela logo ali,
mas aí eu ja estava na faculdade..anos 80.
- Pô, pai! Sair do Rio Grande do Sul para vir para uma fazenda no
Rio, só tu! Que baita programão!
- É o meu sonho Cristina, não enche mais!
Foi OH HORROR dos horrores. Ele tinha escolhido o lugar pelo nome - Hotel
Quindins
O único que não tinha fotos no guia, mas era caríssimo
e pagava-se adiantado uma semana. Depois de rodar "zoras" e
passar por um monte de cidadezinhas, que me fizeram entender o porquê
do George Harrinson depois de uma visita ao Brasil, falar que aqui parecia
a Índia, e o povo se deu por ofendido. Concordei com o Beatle apreciador
de fórmula 1.
Rodamos mais que Pomba Gira porque homem que é homem e tem o tal
guia nas mãos, JAMAiS vai pedir uma dica ao transeunte.
Olha sobre o pai e as nossas viagens de carro posso escrever livro, fazer
filme... Sabe aquela comédia Férias Frustradas com o canastra
Chavy Chase? Tem mais de uma, mas a melhor é Férias Frustradas
na Europa. Posso até ser a única a achar graça, mas
sendo filha do Neco é neta do Satyro é impossível
não se identificar. Toda vez que voltávamos das praias,
quando eu ainda morava em Florianópolis, ficava esperando pra ver
quantas voltas o pai ia dar na rótula do CIC, até ter coragem
de sair daquilo e rumar pela Trindade. Ele até já tinha
umas desculpas prontas para o evento:
- Dei outra volta porque lembrei que preciso ir por dentro pra passar
( aí variava - farmácia, loteria ou posto de gasolina que
são os lugares bacanas que até hoje ele freqüenta,
além de filas de banco ) Pior do que o pai, só meu avô,
porque barbeiragem e auto confiança aumentam com a idade na mesma
medida. Como o pai ainda não tem os 74 anos que o vô tinha
quando morreu, sei que ele ainda pode aprimorar o estilo.
Estas e e outras um dia vão para o meu blog.
Voltando as Férias Frustradas a caminho do Rio...
Foi daí que avistei uma plaquinha dizendo Quindins. Mostrei para
o pai e ele comentou:
- deve ser os fundos...
Não era!
Eu e a Luciana quase enfartamos de tanto rir.
- Pai tem certeza de que esse teu sonho não era pesadelo?
Levei um safanão, mas entrei as gargalhadas...
Sacas uma coisa possivelmente bucólica para quem não conhece
isso desde criancinha?
E o meu avô teve uma granja entre Porto Alegre e Pelotas. Graças
a Deus, não sou desse tempo.
Sou da minha eterna e confessada paixão pelo Balneário Santo
Antonio onde um dia minhas cinzas serão jogadas do trapiche à
lagoa de onde as vezes eu penso que nunca deveria ter saído.
Os bichinhos de estimação do pai eram jacarés que
ele carregava mordendo uma luva. Todos tinham o nome de Oscar e eram trocados
quando estavam grandinhos e eu corri o risco de ser a futura filha de
um maneta.
De volta ao Quindins:
As caminhas eram um pouco melhor do que a manjedoura de Jesus mas com
colchão de palha. Foi aí que o pai cansado de dirigir começou
a não achar tanta graça no aprazível programa.
Instalados (?) Vamos passear de cavalo...
- Como nao tem?
Tem, mas tem que alugar e lá fomos nós 3 de charretinha
com cavalo fazendo coco pelo caminho e pagando por isso. Nem sei onde
o pai tinha se enfiado.
Na volta, interrogatório:
- Pai hotel fazenda não é uma coisa maravilhosa, com uma
porteira linda e léguas de grama verde até chegar a sede,
onde também fica uma piscina espetacular e o haras?
No coments, e um olhar gélido de ódio.
Amanhecemos vivos e o café da manhã foi maravilhoso.
Comemos TUDO o que entrava porque a mãe é da horrível
filosofia - ta pago ou é grátis, tem de aproveitar.
Anos mais tarde descobri que meu marido parece filho dela. Sempre falei
que sou a versão feminina do Sofrenildo!
Voltando a fazendim...foi aí que a tagarela fez seu primeiro amigo.
O inesquecível... inesquecível porque tratei de criar uma
associação capaz de fazer alguém com hipotireoidismo
não esquecer um nome. Malvina era a personagem mais badalada da
novela Gabriela e o meu novo amigo era Alvino. Muito simples - Malvina
versão masculino, menos a inicial. Uso dessas fórmulas até
hoje. O Alvino era um tição. A coisa mais querida do mundo,
que tinha nascido liberto graças a lei do ventre livre, mas foi
criado em senzala pela mãe escrava. Não sei quantos anos
tinha mas eram muiiiiiiitos e o pobre ainda trabalhava. E nós tratamos
de dar mais trabalho, porque pedíamos a cada 5 minutos sucos das
mais variadas frutas, só pra dizer obrigada e ouvir :
- Di nada madamas!
E lá ia rindo contente o Alvino com as gauchinhas do pedaço.
Programa da tarde: ida a piscina...
- O que? A piscina fica onde?
Na fazenda do lado, é só ir de carro ou charrete alugada
e pular uma cerca, porque o proprietário deixa usar..também...quem
quer aquilo.
Lembras da piscina da cascata? É a Cascata do Costinha... nem deves
lembrar ou saber que lá existia uma piscina. Um tancão de
concreto com água da chuva.
A piscina emprestada do Quindins era igualita. Deve ter inspirado o Piscinão
de Ramos anos mais tarde, que é uma mega-versão da piscina
dos Quindins que no final das contas nem era deles.
Aí o Neco saiu do sério.
Motim a bordo...
Só que esta que vos fala, já tinha um plano em mente pra
ser executado antes de sair definitivamente da "doce vida feliz".
A própria direção do hotel achou por bem libertar
a família Carriconde.
Acharam que o local era muito pacato para duas meninas arteiras, então
ficou combinado que nós estávamos libertos que nem evangélicos
quando aceitam o verdadeiro deus no coração.
Livres da tal semana obrigatória, mas ficaríamos até
domingo quando finalmente o pai ia provar o quindim que fez a fama do
lugar e que depois ele confessou ter sido esse o real critério
da escolha.
Não foi um desastre total porque a simpática aqui, ficou
amiga de todo mundo e esse todo mundo eram pessoas na casa dos 70 anos.
Um em especial, que era da turma do Silvio Caldas e que tinha gazeteado
naquela semana. Era da boêmia aqui do Rio. Delegado de subúrbio.
E eu tinha levado o violão e ficava sentada na rede tocando e cantando:
"Nunca nem que o mundo caia sobre mim, nem se Deus mandar nem mesmo
assim, as pazes contigo eu farei"...enturmadíssima com a galera
geriátrica. Aprendi outras serestas com o novo amigão de
velhice.
Agora que escrevo acho que esta foi uma das melhores passagens da minha
vida.
Claro que toquei e cantei todas as "almondeguices" que sabia
e ainda fiz propaganda do futuro show.
Quindim comido e apreciado. A família com uns 40 quilos a mais
adquiridos em 4 dias e estávamos quase embarcando quando anunciei:
- Pai nao esquece dos meus bambus!!!
- Que bambu?
- O da piscina....
E lá foi o boníssimo Alvino acompanhado por outro empregado
um pouco menos velho pra cortar bambu pra gauchinha. ( liguei para o pai
para perguntar se isso era no tempo da Variant mas descobri que a outra
vitima se chamava Evaristo)
Seis pedaços de bambu com uns 60 centímetros de comprimento
com uns 40 de perímetro mais ou menos.
Aquilo, futuramente, ia se transformar em um instrumento de percussão,
inspirado nos do conjunto...adivinha?
- Cristina tem bambu por todo Rio Grande do Sul...
- mas não com esta listra grossa verde linda. Pai leva pra mim,
eu já fiquei comportada como pedistes.
E os bambus vieram para o Rio dentro do Doginho dourado (Dodge) do pai
e depois foram morar na nossa cidade, onde amadureceram e perderam a listra
e nunca viraram instrumento musical. Acho que a mãe escondeu na
casa do Laranjal. Sofro de vaga idéia de ter falado sobre o futuro
instrumento com o Kledir ou com o João Batista. Falava de igual
para igual. Eu tinha o meu conjunto e, banda é um termo bestinha,
que só estão usando de uns tempos para cá.
Oh gente burramente colonizada. Não pegam o que tem de melhor e
usam estas bobagens. Conjunto Paralamas, Kid Abelha e os Abóboras
Selvagens...Agora Os Titãs (cada vez mais reduzidos) até
ironizam no título do último disco. "A Melhor Banda
de Todos os Tempos da Última Semana". Banda JotaQuest, convenhamos...até
gosto dos caras mas pra mim Banda é bala e, de preferência,
sabor morango, comprada no kiboneiro na frente do Colégio São
José.
Banda mesmo só a do Colégio Gonzaga e a da Escola Técnica
em sua eterna disputa para ser: "A Melhor Banda de Todos os Tempos"
de todos os anos. Lembras do repertório? 2001 uma Odisséia
no Espaço, Guerra nas Estrelas e uma do Pink Floyd que não
sei o nome... tá quase igual. Assisti no ano passado. As mesmas
músicas só que sem o maestro Chuteca e com criancinhas sem
o uniforme imitando o da Guarda Inglesa. Perdeu toda graça e a
Escola Técnica agora atende pelo nome ridículo de CEFET
e nem sei se tem Banda com este nome deve ser "Band".
Viu como este conjunto foi importantíssimo na minha vida.
Quem da nossa geração não foi para o violão
tentar aprender o solo de Vento Negro?
Eu é claro! Nunca gostei de ser óbvia e preferia a deliciosa
... "até não mais eu resolvi partir..."
Ainda sobre violões...
Na mesma época era de lei, aprender a tocar o solo de Stairway
to Heaven e essa eu visto a carapuça...quem me ensinou foi o Régis
mas nunca gostei de música barulhenta. Era cafoninha e preferia
o Genesis e até fui ao show deles no Gigantinho, aquele em que
o vocalista saiu pra fazer coco e não voltou mais, e quase que
o ginásio do nosso time sucumbe à ira dos fãs. Isso
já é outra história comprida e fica "pradipois".
Pra terminar, sabes que quem virou a cantora oficial da família
foi a minha irmã, e a simpática aqui foi para o caminho
das letras e imagens.
Ta muito frio aí?
Combina com o Vento Negro!
Aqui continua a ante-sala do inferno mas nem por isso vou ouvir pagode
pra entrar no clima.
Boto o ar condicionado no máximo, o som na vitrola e volto pra
Pelotas enquanto a música durar.
Acabo de lembrar que esqueci de fazer as reservas outra vez. Vou ter que
bolar uma fórmula para isso.
Tá combinadíssimo que o senhor vem dos "isteites"
e vai receber todas as mp3 prometidas lá em Pelotas, no nosso encontro
natalino. Oba!
* Uma curiosidade sobre o citado - Circo de Marionetes - ta bem que foi
o derradeiro do "conjunto da minha vida de todos os tempos"
e não mega-estourou nas paradas mas catando na ficha técnica
encontramos uma famosa cantora, fazendo vocal pra eles que hoje atende
pelo nome de Zizi Possi.
Os Almôndegas mandaram alguma energia boa para a carreira da moça,
que já nem é tão moça assim, como os guris
e nós, priminho....
Bom dia!
Beijo!
C
Chegaram
até aqui?
Agora to morrendo de vergonha, mas é só de mentirinha
PS: Vitor, a Ana ja comprou a câmera digital?????
Compra uma que tenha bastante foco de lonnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnge, viu?
A minha não tem :-(
Para uma adolescente gordinha não tinha pior programa que ir a
costureira acompanhada pela mãe, que não gostava nem um
pouco de ter uma filha acima do peso ideal.
Programa de índio ainda não era uma gíria nessa época
e eu chamava de sessão de tortura. Alfinete que fincava como se
eu fosse um voodu. Medidas muito esquisitas e eu refletida no espelho
muito diferente da pessoa que achava que era.
Sempre tinha a tal da espera, porque outra vítima ainda estava
sendo espetada antes que chegasse a minha vez. Era um tempo que eu e a
minha mãe gastávamos conversando com a simpática
família da Gladys. Um dia chegamos e quem atende a porta é
o pai da torturadora. Um senhor que era um doce e que passava horas conversando
sobre bichos comigo. Coisa muito mais interessante do que a roupa que
no final eu ia detestar, ainda mais que ela só ficava pronta na
próxima estação. Acho que gostávamos muito
daquela família e por isso repetimos o programa por muitos anos,
até que um dia emagreci e sumi.
Tá certo que cheguei a visitar como amiga, até acompanhar
a minha mãe que continuava cliente.
Volto ao senhor gentil. Aquele dia nem olhou para nós. Só
abriu a porta, resmungou algumas coisas e desapareceu sem nos dar confiança.
Não ia ter uma história nova para me contar.
-Gladys, está acontecendo alguma coisa com teu pai?
-Não repara todo Natal é assim. Fica num mau humor porque
brigou com o Papai Noel.
Como a nossa cara devia representar muito bem o espanto, ela contou um
pouco mais.
-O pai nunca ganhou nenhum presente de Natal e sempre sonhou em ter um
trenzinho, não perdoa o Papai Noel até hoje. Velho ridículo!
Eu e a mãe não achamos.
- Por que vocês nunca deram um presente para ele?
-Decidiu assim. Já que o Papai Noel tinha esquecido dele, não
queria os nossos.
Ficou uma explicação mais ou menos. Não convenceu
a mim e muito menos a minha mãe.
Achei que a história tinha terminado, que depois do Natal o seu
Othelo voltaria a conversar comigo sobre passarinhos.
Um dia minha mãe chega em casa muito emocionada e diz:
-Cristina eu consegui!
Ouvi o relato até com certa vergonha, depois entendi o sentido
da coisa.
- Fui até a Casa das Meias e pedi para conversar com o dono. Disse
que ia contar uma história e que no final ele resolvesse o que
ia fazer. Terminamos os dois chorando, ele pegou o maior trenzinho elétrico
que tinha na loja, fez um pacote lindo, e me deu para levar para o seu
Othelo.
-Mãe, porque que tu não comprou o trem? Que vergonha!
-Cristina tinha que ser um presente do Papai Noel, não entendes?
Minha mãe estava certa. A Casa das Meias apesar do nome, era uma
das maiores lojas lá de Pelotas e tinha uma seção
de brinquedos muito concorrida. Há muitos anos que o tal Papai
Noel vinha era do comércio. O espírito natalino podia ser
pago em até 4 vezes sem juros e sem entrada. Nada mais justo que
cobrasse dele a dívida que tinha com o pai da costureira.
Adorei a minha mãe e fomos imediatamente entregar.
Sabe que a costureira ficou comovida? Virou outra cúmplice no plano,
escondendo o pacote até o dia 25 de dezembro, jurando segredo eterno.
Não lembro de nada que ganhei, só de ter acordado muito
cedo. Eu e a mãe.
Ela correu para o telefone e ouviu.
- O pai quase morreu.
Quase matamos o seu Othelo, com a visita do Papai Noel, 75 anos depois
do pedido.
- Chorava, chorava agarrado ao pacote, não sei quantas vezes olhou
para o cartão que vocês fizeram e
assinaram Papai Noel. Tive que dar água com açúcar,
mas nunca vi meu pai tão feliz. Nem precisei fazer o que tinha
prometido. Ele não perguntou quem tinha mandado. Tem certeza que
recebeu do Papai Noel.
O pai tá caduco! Tá lá brincando.
Não lembro quanto tempo demorou até a outra sessão
de tortura, mas seu Othelo estava sorrindo quando abriu a porta.
- Conta mais Gladys!
- Os guris já não aguentam o pai. Todas as noites, quando
estamos deitados com as luzes apagadas, escutamos o barulho do trem. O
pai se tranca no quarto e fica brincando até altas horas. Dá
para ouvir as gargalhadas dele, não conseguimos dormir. Os guris
estão cheios do avô. Ele tranca a porta com medo que um deles
estrague o trem. Velho caduco!
Gladys nunca foi muito sensível, mas eu e a mãe não
seguramos as lágrimas na saída.
Minha mãe tinha conseguido promover as pazes entre os dois velhinhos.
Eu achei tudo poético. A casa mergulhada na escuridão. O
som de um trem de corda, não importava que já fosse elétrico
e as risadas de um senhor que tinha idade para ser o Papai Noel.
Seu Othelo tinha reencontrado o menino que fora um dia e era com ele que
brincava.
Não passa um Natal sem que eu lembre dele e a tal cena que transferi
para a minha imaginação,
volta com toda a poesia. Faz muito tempo que o contador de histórias
de pássaros foi morar na casa do amigo com quem fez as pazes.
Minha mãe também tinha me dado um lindo presente. O melhor
que recebi até hoje. Ela que foi uma menina muito pobre, que muitas
vezes foi esquecida pelo velhinho da roupa vermelha, não tinha
brigado com ele. Aprendeu que quando a gente pode fazer um milagre para
outra pessoa, não deve pensar muito. Deve fazer o tal milagre o
mais rápido possível. Uma lição que usamos
todos os dias do ano. É o melhor presente que a gente pode se dar.
Eu estava pensando em contar esta história, enquanto caminhava
pelas ruas de Copacabana e de repente
dei de cara com um trenzinho, que um camelô vendia. Não era
tão bonito como o que o Papai Noel deixou na árvore do seu
Othelo, mas resolvi comprar. Não andei muito até ver um
menino de rua. Desses que gente não sabe nem o nome e todos viram
meninos. Parei rapidamente e entreguei o trem. Só usei poucas palavras.
-Papai Noel pediu que eu te entregasse!
Voltei para a casa, trazendo pela coleira o Murilo, que é o meu
cachorro e que tem nome de gente. Com certeza leva uma vida melhor do
que a do menino sem nome.
Queria ter explicado tanta coisa para ele.
Que não foi o Papai Noel, que o deixou esquecido na rua. Quem é
responsável por ele estar lá, são pessoas que não
aprenderam a lição da minha mãe. Que estão
permitindo que ele cresça de mal com o mundo e nós temos
que assumir parte da culpa por isso. São anos de dívida
que temos para pagar. Muitos nos olham com cara de gente grande e nós
com a cara de meninos acuados. É uma vergonha ter medo de criança.
Peço sempre para o Papai Noel que me ajude a dar um nome de gente
para cada um deles, que permita que sejam mesmo crianças e que
cresçam com dignidade. Faço algumas coisas durante todo
ano, para dar uma força para o velhinho, porque é um pedido
e tanto.
Paz em 2003 e justiça social, antes que seja tarde de mais.
Quero crer que ainda dá tempo!
Assumo
que sou exagerada. Quando gosto de alguma coisa, resolvo dividir com os
amigos. Um dia li uma crônica do João
Moreira Salles e resolvi indicar para os outros. Gosto muito dele
e de tudo que escreve. Fiz alguns cursos de documentário, mas há
muito tempo e coisa curta. Infelizmente. Inventei uma suposta conversa,
onde faço um desabafo e conto que não sou muito fã
do tema. Ficou enorme. Quase do tamanho da dele. Não consegui encontrar
a coluna inspiradora nos arquivos do
"nominino". Tenho guardada aqui, mas não posso publicar.
O título é Pelo Menos Fomos Péssimos
sobre o Botafogo e a sua desgraça. Vou resumir. Ele acabou por
ler a minha e mandou um recado que adorei. Como hoje é domingo
e um dois dias que eu mais sofria, vou mostrar o que escrevi para ele,
mas é uma grande homenagem para meu pai. No final mostro o bilhete
do João e uma declaração que vai abalar Pelotas.
Vejam
que maravilha! Que frescor! É por isso que eu amo o João
Moreira Salles e até o perdôo por gostar de futebol. Que
texto primoroso. É a melhor crônica sobre o assunto, embora
eu não tenha lido outras, pela minha decantada repulsa ao esporte.
Vítima de traumatismos na infância e sendo filha de um torcedor
que ouvia tudo no radinho naquele estranho e irritante dialeto que nunca
consegui entender: bzbzbzbzzbz bzzzzzzze abzbzbzbz baçaorzbz bz
bzbz ooooollllllllll bzbzbzbzu uuuuubzbzb zbzbzb bzbzbzbzbz bzbzoooooooohhhhhh
bzbzbz bzbzbzbz bzoooooouuuuullllllllllllll aaaaaaaaaaaahhhhhh.
Com direito a eco e estática. Cheguei a pensar que o rádio
fazia parte do corpo do meu pai. Maior surpresa quando descobri que aquilo
desgrudava da orelha. Foi quando comprou nosso primeiro carro familiar
com rádio, é claro. E a partida podia ser acompanhada durante
os passeios. Quando surgiu tv a cabo passou a acompanhar jogos pelo mundo
inteiro. Tem jogo no Casaquistão? Na Conchinchina? O pai tá
vendo e ouvindo. Pode ligar prá perguntar o placar. Sempre dois
em um. Ouvido no rádio e olho na tv. Sabe o que eu dei para ele
no último aniversário? Um rádio surfista com onda
isso, onda aquilo que pega partidas até de Marte. Só que
já faz alguns anos que saí da casa do Neco. Só quando
me visita aqui no Rio ou quando retorno ao pampa, volto a ouvir o tal:
bzbzbzbzbz bzbzbzbzbz bzooooooouuuuuuuullll aaaaaaaaahhhhh.
E agora, ele está levemente surdo e põe o volume no máximo.
Pensa que não tentei que usasse fones? Eu tento, desde o tempo
em que o tal fone de ouvido era uma coisa de plástico transparente
ou cinza e torta. Tinha que ser colocada dentro do ouvido e caía
o tempo inteiro. Só ficava enquanto durasse a paciência.
Às vezes saltava durante o gol ou a cobrança do pênalti.
Por isso o pai nunca confiou neles. Isto é do tempo em que o esporte
ainda era mono e preto e branco. Dessa época lembro também
da almofadinha vermelha de espuma com o logotipo do Inter. Dava para dobrar
e levar para o estádio. Se bem que o pai nunca foi muito de ir
ao estádio. Não era um assíduo na Boca do Lobo. Acho
que o clima de Pelotas justifica isso. Aí eu tomava posse da tal
almofada. Só por isso identifico o símbolo do Internacional
até hoje.
Que
conste dos autos:
Time do coração do pai – Pelotas
Sou áureo-cerúlea por herança de berço ou
até antes dele. Já tinha sido muito decepcionante quando
não veio ao mundo o filho jogador de futebol. Pelo menos assumi
que torço para o Pelotas.Tive que encarar!
Fluminense – time que foi até sócio
fundador de uma tal sociedade chamada Amigos do Fluminense ou coisa parecida,
e eu sou a encarregada de levar lembrancinhas anuais para o barbeiro dele
que é da confraria. Já estou munida de uma carteira oficial
de torcedor que comprei no camelô outro dia.
Internacional – quando o Pelotas não está
em campo e tem que torcer por outro time gaúcho. É o plano
B do Neco.
O DEFENSOR – O time da sua vida.
Que teve o triste fim quando minha avó decretou que não
era mais a sede e a encarregada de lavar e fornecer todos os uniformes
dos 22 jogadores. Do time dele e do time adversário, se não
o campeonato não saía. O time ficou orfão e acabou
por falta de espírito esportivo das outras mães.
Faz menos de uma década... bem menos, que eu soube que um time
tem onze jogadores e que cada um tem uma função. Eu pensava
que o objetivo geral era chutar a bola para o gol e, fora o juiz que servia
pra ser avacalhado, só outro infeliz fazia coisa diferente. O goleiro.
Isso eu sempre soube. Para que serve o goleiro? Para fazer metade do povo
feliz quando acerta e infeliz a outra metade. Inverte se ele erra, mas
continua agradando só a metade sempre. E atinei que futebol tem
onze jogadores em campo de tanto ouvir os ditados “Jogo nas onze",
"Futebol são onze, contra onze" e eu achava que era contra
mim. Finalmente caiu a minha ficha. Outro dia contei para um amigo e ele
não agüentou e fez o teste com a mulher.
–
Seis! Acho que são seis, Horácio!
–
É isso aí Miriah, jogo no teu time desde criancinha!
O pai também jogou futebol de salão. Esta coisa que agora
atende pelo ridículo nome de "futsal" e talvez minha
incompatibilidade como tal esporte bretão, venha desde os tempos
em que estava na barriga da minha mãe. Que um dia resolveu desobedecer
a uma ordem explicita de não sair de casa para que o futuro-filho-que-ia-adorar-futebol-como-ele,
não sofresse qualquer risco. Mamãe foi brincar com o perigo
e sentada na arquibancada escondida, feliz e orgulhosa vendo o marido
jogar, foi alvo de uma bolada na barriga. Com um olhar de uma fúria
imensurável, foi fuzilada e removida de volta ao lar de onde nunca
deveria ter saído.
Acho que teve de ter muito mais coragem pra falar que o nome do futuro
jogador seria Cristina. Depois veio o jogador
Luciana e ele desistiu de ter um time só com seus filhos
mulheres. Foi treinar filhos emprestados dos colegas. No mesmo ginásio
da AABB onde levei a tal bolada. Penso que só pode ter sido a maldita
gorduchinha que deixou minha cabeça levemente achatada atrás
e, por conta disso, tive sérios problemas com conhecimentos de
matemática e física para o resto da vida. Tinha como gostar?
Além do mais, pode uma filha ficar feliz com um esporte onde o
pai quase morre a cada quatro anos? Na Copa do Zico cheguei a sair de
casa para não ver meu pai ter uma morte tão estúpida.
E sabia que o primeiro time criado no Brasil foi ali em Rio Grande, bem
do ladinho da terra natal? Claro que foi o Neco que me contou esta história
que é até contestada, mas ele tem provas ditas incontestáveis.
Foi lá que essa praga começou e se alastrou por todo o Brasil.
Não posso esquecer que antes de embarcar no avião rumo ao
sul, devo procurar por todo Rio de Janeiro uma cadernetinha chamada Petrópolis.
Foi o que que ele mais gostou na última visita. Devo comprar todo
o estoque. É seu caderno mágico de técnico imaginário.
Lá escala times completos, anota resultados, cria desafios do tipo:
lembrar de toda a escalação da Seleção da
Hungria na copa de... Isso deixo prá lá. Não ouso
arriscar. Esse é o diário secreto do pai. Só confessado
porque pararam de fabricar a tal caderneta e ele achou este genérico
aqui na Cidade Maravilhosa. Quando completa uma rasga em mil pe-da-ci-nhos
de história e parte prá outra jogada. Meu sonho é
salvar uma delas. Tenho que ensaiar este lance.
Meu marido até o convidou para irem juntos a um Fla-Flu
e ficarem sentados na torcida do Fluminense. O que não faz um marido
flamenguista fanático para puxar o saco do sogro? Ouviu um sonoro,
não. Pra que? O Márcio ainda não tinha entendido
que o Neco tem um Maracanã no coração. Pode um pai
pedir uma caderneta sem espiral que custa quarenta e cinco centavos, como
presente de Natal? Pode sim! Nenhuma vítima subestima o poder dessa
paixão. Eu te perdôo, João. Do fundo do meu coração
e da caixa amassada que abriga os meus miolos. Juro que um dia vou me
esforçar mais uma vez para entender o que é impedimento.
Já fiz progressos. Chorei na final do Tetra e repeti o choro quando
fomos Penta. Imagina se um dia eu chego a gostar deste maldito futebol...
Cristina,
Adorei tua crônica. Fiquei com a sensação de ser amigo
do teu pai desde criança. Ah, sim: virei áureo-cerúleo
no Sul!
Beijos,
João
Quando
agradeci, comentei que era brincadeira que nunca tinha lido uma crônica
sobre o tema. Se eu ia perder tanta gente boa escrevendo? Tenho os livros
do Nelson Rodrigues e muitos outros. Fiz mais. Disse que agora sou torcedora
do Botafogo e que encontrava com ele na arquibancada lá do outro
lado da ponte. Acho que a segunda divisão deve ser muito mais divertida
e a terceira deve ser um bolaço! Contei outro detalhe sobre o pai.
Não sei como esqueci. Finalmente descobriu uma utilidade para essa
tal de internet. Quando esta de férias lá em Florianópolis,
telefona e abro a página do
Diário Popular. Leio prá ele todas as notícias
sobre o Esporte Clube Pelotas. Sempre sei quem estão pensando em
contratar.
Comida também é Crônica de Costumes.:))
Recebi esse e mail de Cristina Carriconde. Pedi a ela que me deixasse
colocar aqui na íntegra, no que
ela me respondeu que tudo bem, mas que por favor corrigisse os "erros
de portugues e ingrês" mas não
dá: os erros, que não são erros de verdade, fazem
parte e dão o charme.
Aproveite, pois é uma delícia de texto!:))
Salada da Cristina ou
Salada Patriota - Verde & Amarelo
"Você
pode ser natureba e junkie ao mesmo tempo"
Esta resolvi escrever inspirada na que já esta no teu site. Juro
que dá certo e que não mata. Já fiz muitas vezes.
Eu sou a autora, ok?
O
Verde
Pegue
todos as folhas verdes que gosta, mas evite as venenosas.
Se quer morrer, problema seu. Eu fico com alface crespa e rúcula
ou só na alface. Qualquer modelo.
Acho que rasgar as folhas você sabe se não, já perdeu
a receita porque não vou ensinar.
Molho.
Azeite
de Oliva (se puder evite os em oferta. Se não der, coloca só
um pouco)
Tequinho de mostarda. Pode ser o sache que veio do Mac Donald's
Gotinhas de limão pra encher uma colher
e um pouco da doçura do mel ( máximo do conceito natureba)
Duas colheres de sopa, tá de bom tamanho.
Toque
Junkie Food
O
amarelo
1
pacote de batata a palha. ( máximo do conceito junkie )
Use
só um pouco...metade eu acho. Vai depender das folhas. Sei lá
se rasgou uma floresta.
Tente comprar a melhor, que é a menos engordurada.
Passe batido pelas da marca Pringle's. Se ela entrar na receita os outros
sabores fogem da salada.
Passe
de mágica
Já
deixou as folhas de molho para matar os bichinhos, secou e fez a jardinagem
rasgando cada uma delas, pode juntar o molho, mas as batatas pelo "amor
de deus", só 5 segundos antes de servir. Não deixa
a salada desidratar, porque tem que ficar crocante. Este é o segredo.
Fazer créc!
Para ser mais chic:
Troque
as batatas por crouton, mas todo mundo já fez isso.
Se
achou que falta alguma coisa, abra a geladeira e aponte para todos os
ítens dizendo: unidunitê o escolhido foi você! Vou
torcer para que tenha caído na garrafa d'água e neste caso,
use só uma gota prá não estragar a minha invenção.
Uma
saladeira maravilhosa ajuda qualquer receita. Se não tem peça
para o Papai Noel. Dá tempo!
Receita
para a hora do Pânico ou "Minha sogra chega daqui há
uma hora. Telefonou para avisar. Dá tempo de salvar o meu dia.
Prá sogra que não telefona, tem mais é que empurrar
KINOJO LAMENtável - sabor 4 queijos
Vá
correndo comprar:
Uma
peça de lagarto redondo - adoro o nome criativo das carnes vermelhas,
por isso não sou vegetariana.
Gosto de poesia.
1
lata do melhor molho de tomate (se é que existe no mercado algo
que mereça um adjetivo do bem).
1 cebola para cortar e chorar a vontade ( nenhuma dica resolve o tal choro
compulsivo, nem perca o seu tempo com fósforo na boca , isso só
faz você ficar ridículo)
1 garrafa de cerveja NEGRONA - se tiver medo use só uma lata quando
fizer o primeiro teste. Se for racista, azar seu e soca uma loura burra
no lugar. Já testei. Fica meio down...
1 panela de pressão - Não sei quem inventou mas merecia
um Nobel
Pica, Picatchu a cebola e dá uma fritada no lagarto até
dourar de vergonha.
Eu não gosto de alho nesta receita. Só gosto de torrada
com alho e frango a passarinho ( tadinho dele).
Tem gente que bota alho em tudo até atrás da orelha. Pulei.
Deixo pra quem vai caçar vampiro.
Fritou é hora de atirar o resto dos ingredientes na panela.
Eu ainda sapeco o tal sache do Mac Donald's e neste caso, boto o de catchup
também. Arrisca uma folhinha de louro, só uma e pequena...e
por falar em Louro, foi na Ana Maria Braga que vi esta coisa que agora
digito. Tô dando uma adaptada. Tira o Louro antes de servir. É
horrivel encontrar com ele mais tarde e fica amargo. Se tiver amargo no
final, sapeca uma colher de açucar. Sal você decide..
Eu gosto com pouco. Melhor ir provando.
Feche a panela e calcule o tempo, pelo tempo que falta prá sogra
chegar.
Se ainda tiver tempo, faça um macarrão básico para
acompanhar. Já sei que alguém vai fazer alho&óleo.
Prefiro simples com o molho da carne. É! Vira um molho bom. Se
não virou, deu errado e engrossa, por favor ou volta prá
pressão. Se a carne já estiver macia, tire antes de voltar
ao fogo.
Faltam só cinco minutos para ela chegar...desista. Não é
uma receita milagrosa. Pegue a sogrinha e leve ao :
INFERNO
DOS GOURMETS
Não
é o nome do restaurante, é só o conceito.
Ele também atende pelo nome Bufet da Balança ( céus,
que horror ) ou restaurante com comida a Kilo ( com K, porque são
criativos)...aquilo de ruim, mas tem muitos que são ótimos.
É só não escolher um pocadim de tudo. Dá prá
ser um pocadim chic: ou carne, ou ave, ou peixe, ok?
Paga a conta e barra fica limpa com a sogrona querida do coração.
A minha é Ruth e nos damos bem. Cozinho melhor do que ela.
Sei que tem sogra mala, mas não tive esta sorte.
Ah,
já ia esquecendo. Se deu errado congela e despacha no dia 31...lembra
que tem cerveja? Pode despachar a sogra que não telefona ou pensa
nela na hora de entregar para sei lá quem.
PS:
Sei que concordância está toda errada, mas fica pior certinho.
Pegue e Pague prá mim é um falecido Supermercado. Dica para
as duas receitas. Jogue as crases onde bem entender. Eu fiz o favor de
não usar errado. Erro menos.
Beijo
Cris! :))
A gente aqui não come carne mas não rola patrulha ;))
Quanto
mais louca eu e minha vida ficamos, mais loucos são os comentários
e emails que eu recebo. Um dos mais sensacionais dos últimos tempos
foi o da Cristina, que apareceu por aqui nos comentários do email
sobre a minha camareira. Pra quem não leu, ela contou que tem uma
faxineira fanha, que só fala as vogais. O comentário foi
tão engraçado que a própria Cristina arrumou fãs
e recebeu emails (eu já disse que ela tem que fazer um blog...)
Conversa vai, conversa vem, depois da troca de alguns emails a Cristina
me mandou mais informações sobre a tal faxineira, a Regina*.
No email, um attachment bizarro: uma gravação de um monólogo
da faxineira fanha. Leiam o email da Cristina:
"Pena
que ela estava calma porque a voz fica boa...bom mesmo é quando
esta afobada, aí é show...e ela não esta nem aí...sem
complexo!!!! Uma vez foi em um hotel..acho que devia ser apart hotel e
o recepcionista chamou o interprete porque ele não entendeu aquele
idioma..isso ela conta as gargalhadas. Uma vez me pediu socorro porque
queria fazer "resgastradamento" do iiiiiiiiquiiiiiiiii e o cara
nunca entendeu que ela queria recadastrar o cic. Outro dia pedi que fosse
comprar pasteis aqui perto, só que quem vende é uma japonesa
que mal fala o português então providenciei uma listinha
porque achei que nem uma ONG ia estabelecer a ponte entre as duas. Quando
ela fala rapidíssimo eu sempre acho que estou assistindo a um filme
do Tarzan..sabe aquela sonoplastia de macaquinhos ...oioioioioioioooiiiiii
eu juro.... Não pensem que sou só malvadinha, já
tentei ajudar e uma outra patroa já tinha pago um curso com o inacreditável
Simon Wajntraub, alias eu descobri que ela tinha sido aluna dele por acaso...um
dia estava aqui trabalhando e toca o telefone, atendi e levei um susto
DEUS ESTAVA FALANDO COMIGO Uma voz que só pode vir de outro plano....Levei
um tempo até processar os dados da conversa. Era o tal, que eu
já tinha visto no Jô Soares, querendo saber quanto eu cobrava
para fazer um anuncio...não deu em nada porque sinceramente eu
não conseguia levar a sério e no fundo "Deus"
queria era comparar preços. A Regina ouvindo o papo me contou que
já tinha sido aluna..Bem feito porque é a prova que ele
não cura todo mundo como afirma...Só que ela acha que ficou
assim porque quando era bebe caiu do berço...agora me conta QUAL
FAXINEIRA ESTRANHA NÃO CAIU DO BERÇO??????"
Ontem de manhã a Cristina Carriconde me mandou esta colagem que
fez no vapt-vupt. Somos amigas de computador, mas nunca havíamos
visto fotos uma da outra. Ela me explicou o que aconteceu:
Estava
fazendo uma montagem no Photoshop para ver se conseguia colocar uma foto
no forum e com algumas "caras" minhas, quando resolvi tirar
uma foto da tela do meu computador e dei de cara com você que eu
não conhecia em uma foto maravilhosa.
Tive
a idéia de fotografar o comentário e a tela do meu computador.
Numa linguagem de internet eu mostro para você várias expressões
quando estou lendo o seu blog.
Como
sempre digo "bom dia", mando ele agora colando nossas imagens
e as do instrumento que tem possibilitado a nossa comunicação.
Não
repare na montagem porque fiz rápido para mostrar como foi um encontro
não planejado...
Pois
eu adorei essa colagem! A Cris conseguiu fazer uma coisa que, se alguém
me descrevesse, eu ia achar impossível: criar a interpretação
visual de um diálogo online. Maravilhoso.