Lembrei
que faltava meia hora para os meus pais completarem 42 anos
de casados.
Resolvi telefonar e gastei o tempo até a meia-noite
falando mal do preço do dentista.
Falei com a mãe, com a minha avó e até
com o meu pai, que raramente fala. Este talento, foi a única
coisa, que não herdei dele. Estava animado. Tinha encontrado
com o Fernando.
Pediu 5 real para o presente da Augusta.
Vou traduzir!
Fernando é um maluquinho que está sempre na
praça que fica na frente da casa dos meus pais e Augusta,
é a namorada dele. Sei tudo isso, porque perguntei.
O pai já conhecia o cara há uns 7 anos e não
sabia o nome. Fernando não sabia exatamente onde o
pai morava. Fiz o favor de tirar todas estas dúvidas
e ainda descobri a Augusta.
O pai ficou furioso, mas no fundo sei que gostou. Fenando
é amigo dele e vive deixando calendários de
presente para o seu Neco na recepção do edifício.
O pai é hipocondriaco e as tais "folhinhas",
são de uma funerária. Outro dia até ligou
para contar que tinha ganho uma diferente - das Lojas Marisa!
Viu como nao custa nada ser social?
Tenho ainda de explicar que Fernando tem uma deficiência
mental. Tem mania por datas. Quando ele desaparece o pai já
sabe que na próxima importante, volta pra pedir dinheiro.
Tem que ir ao jogo do Brasil, comprar algum presente, comer
churrasquinho na semana da pátria, fazer um lanche
na Feira do Livro... Sempre chega contando a novidade: -Dia
25 é Natal! Dá 5 real para o meu presente?
Por isso ele tem mania pelos calendários e no Natal
passado, até eu ganhei um.
Hoje o pai contou que ele pediu os 5 real para o presente
de aniversário da Augusta.
Eu e o Neco temos outros amigos em comum.
Uma família que ele adotou. Uma senhora que ele não
simpatiza muito e seus 5 últimos filhos.Os outros só
sabemos o nome.Tudo começou com Maicon. Não
lembro o ano .
Eu adoro a Luana. Todos os sábados o pai vai ao supermercado
e faz compras. Dá para a mulher que não sabia
o nome. Em julho deste ano, estive lá e perguntei.
Descobri que é Neca. Chorei de rir pela coincidência.
Quem contou foi a Luana no dia em que fomos almoçar
juntas. Não simpatizo com a tal Neca. Pra meu gosto,
tem filho sobrando pra pedir esmola por ela, mas as crianças
nao têm culpa.
Da Luana não tenho foto, mas do Maicon e do Marcelo,
tenho varias aqui no HD.
Só vejo meu pai feliz e tagarela, quando o assunto
envolve essa nossa turma.
Deu meia noite e dei os parabéns para o casal, até
porque o casamento há 42 anos, justifica a minha existência.
10/12/2003
Isso
faz parte de uma crônica enorme que escrevi no ano passado.
Não cheguei a publicar. Acho que esse trecho, dá
uma boa idéia de como é meu pai. Não
pensem que é assistencialismo barato. Botou na escola.
Conseguiu que a mãe deles não tivesse mais nenhuma
criança esmolando no frio.
Não pedem nenhum absurdo e nem dinheiro. Algumas vezes
é um passeio de carro. Luana manda recados. Fez um
pedido. Quer que eu volte e leve um esmalte colorido para
pintar as unhas dela. Vou ter de providenciar. Não
uso. É isso que querem. Brincar!
Eu não tive filhos e nem minha irmã, mas morremos
de orgulho quando escutamos qualquer um deles chamar nosso
pai de vô.
Quando
o Maicon souber que apareceu na Internet, vai ficar na maior
felicidade. Uma vez quis aparecer na TV. Pedi ao pai que tirasse
fotos. Mandou pelo correio normal e logo dei um jeito de botar
o menino na telinha. Ganhou até o Plim-Plim! Foi uma
das primeiras montagens que fiz. Acho que foi em 99. Essa
foto tem quase 4 anos. Fiz lá casa do pai. Alguém
duvida que ele estava feliz?
Há tres semanas o pai dele morreu. O meu ajudou no
tratamento e sei que vai olhar por eles enquanto puder. Nada
vai deixar o seu Neco, que está longe das duas filhas,
mais feliz do que saber que o Maicon hoje está aqui.
Não
quero deixar o blog estacionado, mas não ando muito
animada e nem
inpirada para escrever. Vou levando. Isso não quer
dizer que amanhã não tenha alguma coisa nova.
Tenho lido muito, procurado visitar os amigos e as pessoas
novas que têm escrito e comentado. Eu me incomodo por
deixar dias e dias sem atualização, mas não
posso forçar a barra. Tem a ver com a bursite, mas
não é só isso. É um ano difícil.
Não quero que pensem que troquei o blog pelo
fotolog. É muito mais fácil fazer uma imagem
( para mim ). Já falei que sempre trabalhei com elas.
Nunca fui fotógrafa, mas dirigir comerciais, tem muito
a ver. O que está lá, não levou muito
tempo pra ser feito. Quem trabalhou em um centro pequeno,
tem de encontrar soluções rápidas e baratas.
Tenho uma certa experiência nisso.
Não piorei. Melhorei um pouco, mas é um processo
lento. Normal.
Ossos do ofício e do vício.
Esse blog volta com a programação, que nunca
foi normal, há qualquer momento.
Agora vou me divertir um pouco.
Vou me hospedar num hotel magnífico. Já fui
sócia do pedaço, mas agora sou hóspede
com muito orgulho. Tenho até uma suíte colorida.
Lembram da expressão
amizade-colorida? Quem quiser, que venha comigo.
Tô convidando. Não vou repetir. Vai ser uma experiência
inesquecível. Vaucher
aqui ;-)
*
Tinha colocado um texto antes, mas não estava satisfeita
e removi. Peço
desculpas aos que já passaram aqui.
Botei o texto outra vez. Se não fizesse, acho que nunca
mais ia escrever. Estou cansada de
algumas cobranças. Não tenho obrigação
nenhuma de acertar sempre ou de ser genial. Nunca
disse que queria ser escritora. Se isso foi o que publiquei
hoje, aqui deve ficar. Prefiro ser criticada.
Cansei desse teu mundo que nem
conheci.
Vai Olavo,
deixa-me aqui
com meus passos curtos.
Minha prosa não te alcança.
Não importa que a minha vida cause estranheza.
Mesmo que eu consiga ver isso de fora
e projete na tela de um cinema.
Vire espectadora de mim.
Que roube o script.
Mesmo que pavimente a minha estrada com tijolos amarelos.
Que ande em busca dos desejos do Leão, do Espantalho
e do Homem-De-Lata.
Vou sozinha.
Meu caminho é outro.
Não tenho uma vida encantada.
Teu rumo é OZ.
Venho de uma cidade pequena.
Acostumada aos tons gris.
Quando chove e isso é constante,
o céu fica igual ao do filme.
Foi por isso que não me assustei.
E tantas foram as bruxas-más que sobrevoaram a minha
cabeça,
que aprendi a não ter medo.
Conheço bem as minhas esquinas e entre elas tem uma
que venta tão forte,
que um dia achei que ia voar junto.
Um vôo raso,
que logo me aterrissaria no mesmo ponto do mapa.
Percorri ruas planas.
Paralelas que se fechavam no infinito.
Olavo, lembras do final?
Quem sabe enquanto vives nesse mundo mágico,
no meu retorno
a minha aldeia,
me encontre.
Sei que te surpreendo sendo crua.
Quando
o moço do campo chegar,
desperta a Deusa Gaia
que habita meu corpo.
Eu consumida pela ignorância,
espero por esse dia.
Por suas hábeis mãos,
que vão plantar sementes
na aridez que me extingue.
Vai cavar fundo.
Capinar a indigência dos meus pensamentos.
Remover as ervas daninhas,
que já se avistam na altura do meu pescoço.
Do poço que julgo seco,
vai apontar um filete de água
que não avistei.
Logo vira um rio caudaloso.
Capaz de romper a represa,
que minha alma
sem perceber construiu.
Quando o moço do campo se for,
leva com ele o gosto do beijo-jasmim,
que colheu na minha boca.
Bom
final de semana! Pra quem quer navegar por outras praias,
inventei o mar
no meu fotolog.
"Nunca fui seduzida pelas vantagens da Internet.
Gosto de pesquisar em enciclopédias, consulto meu velho
dicionário de 1274 páginas com muita rapidez
e usava o computador apenas como máquina de escrever.
Entrei na Internet há três anos com objetivos
definidos - ter acesso a e-mails e descobrir o que eram as
esquisitas "relações virtuais", queria
escrever um livro sobre elas ..."
Que gosto muito da Cora, acho que todos sabem. É
uma mulher admirável. Não saberia escrever
sobre ela. Posso contar alguns detalhes que têm a
ver com esse blog. Alguns meses antes dele existir, ela
escreveu um e-mail onde perguntava porque eu não
fazia um.
O primeiro comentário no primeiro post, foi dela.
Já perguntaram se somos amigas, mas fiz o mesmo que
qualquer pessoa que lê e comenta no Internetc. Sei
que isso não aconteceu só comigo e isso faz
diferença. Gosto, não por esse motivo. Inclusive,
por isso.
Semana passada depois de ler a coluna, disse que tinha muito
orgulho. É um espaço que ela conquistou com
anos de dedicação ao jornalismo. Tudo para
uma mulher é mais difícil e Cora tem justificado
muito bem a cada semana.
Este
blog é um exemplo de questões que ela
tem levado à discussão.
Digito
linhas que te alcançam.
Vago por tuas entranhas.
Alço vôos sem saber o destino.
Revolto.
Elevo tua imaginação.
Provoco o mar.
Enriqueço tuas salinas.
Subtraio lagoa de mim para te ofertar o que há de
mais doce.
Acidento a geografia.
Deixo sem nexo tua língua portuguesa.
Transgrido qualquer matemática.
Dou-te e aumento o meu vazio.
Quanto menos há de mim,
mais te preencho.
Sou verbo.
Verso para os teus sentidos.
Sopro o frescor da novidade em teu dia
e asfixio rarefeita.
Te alimentas da minha fome.
Bebes da minha sede de vida.
Vampirizas minha energia
e te fazes segunda pessoa.
Pronome que não conheço o rosto.
Há
rios que vão saindo das nossas mãos suavemente,
pois antemão se purificaram em mares e mares de veias,
os quais interligam os membros ao coração.
E os sentimentos nos embalam, e nos vemos bobos entrelaçando
nossos corpos, acariciando faces ou simplesmente movendo
as letras mortas de um teclado.
Eu sou do tipo que não se permite, posto mesmo matar
os alentos no nascedouro, mas há vezes em que eles
(alentos encardidos de torpor ) exigem libertação.
Com efeito,
resta-me , num desespero bom, alforriá-los. Geralmente,
estes são momentos cândidos.
É nessa hora que sigo sorrateiro para a minha alcova,
cuja a patente decoração são apenas
dois globos rubros boiando – meus olhos. Então,
incontinentes, duas lágrimas caem.
E-mail que recebi do amigo da Lanterna
de Diógenes.
Quem conhece o intempestivo
Caco, só dos comentários, pode até
se surpreender.
Fui ao cinema sem sair de casa. Segui uma dica do Gravatá.
Ele indicou no blog um site
engraçado, sobre obras literárias ultra-resumidas.
Logo resolvi explorar outro link, sobre filmes. Escolhi
Cidadão
Kane para a estréia e agora divido com vocês.Quem conhece, pode avaliar e
quem nunca assistiu, aproveite a dica para melhorar o repertório
de cult-movies.
Citizen Kane
Directed by Orson Welles
1941 Ultra-Condensed by
Samuel Stoddard
Orson Welles
Rosebud. (dies)
Reporter
What does it mean?
Everybody Else
We don't know.
THE
END
Dennis,
obrigada pelo carinho! Tua casa de roupa nova é que
está muito elegante ;-)
Habita
minha morada,
mas não esqueça dos detalhes.
Esse é o segredo.
Acenda os candelabros que te fitam.
Percorra os aposentos como menino curioso.
Vasculhe, mas se fizer cócegas,
inverto o papel.
Minha menina vai gargalhar da tua falta de jeito.
Um pouquinho, está combinado que pode.
Espero que saibas o que são portas e janelas
e a hora certa pra cada visita.
Qualquer dúvida, sussuro no teu ouvido o caminho.
Não se perca no corredor. É a minha vez.
E agora?
Pinto a casa de vermelho e não te dou o endereço?
Agora
que já leu as minhas bobagens, corre lá pra
casa da
Fal e leia o texto que ela
escreveu para o
pai, que faria aniversário hoje. Já chorei
tudo o que podia, desde que não leia mais uma vez.
Coloco aqui o refrão de uma das prediletas do Nelsão.
--Fal, não esqueci do dia em que mostrei aquele arquivo
e você se emocionou com a lembrança. Desde aquele
data, essa passou a ser a música dele. Sempre vou lembrar
do teu pai, quando ouvir.
Hoje a cantina do Bexiga é aqui.
Todo mundo cantando Volare,
faz favor!
De preferência, bata na mesa. O pai da
Bi gostava de festa.
update: Cláudio Luiz passou
aqui e deixou o endereço do flash que mostrei para
Fal.
Foi com este
arquivo que eu soube que o pai dela amava esta
música. Valeu!!!
Estou muito bem. Obrigada, por tantas visitas. Deixo outra
letra de música para os amigos hoje.
Gente olha pro céu
Gente quer saber o um
Gente é o lugar
De se perguntar o um
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada estrela se espanta à própria explosão
Gente é muito bom
Gente deve ser o bom
Tem de se cuidar
De se respeitar o bom
Está certo dizer que estrelas estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu pra amar
Marina, Bethânia, Dolores, Renata, Leilinha, Suzana,
Dedé
Gente viva brilhando, estrelas na noite
Gente quer comer
Gente quer ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
Não, meu nego, não traia nunca essa força,
não
Essa força que mora em seu coração
Gente lavando roupa, amassando pão
Gente pobre, arrancando a vida com a mão
No coração da mata, gente quer prosseguir
Quer durar, quer crescer, gente quer luzir
Rodrigo, Roberto, Caetano, Moreno, Francisco, Gilberto João
Gente é brilhar, não pra morrer de fome
Gente deste planeta do céu de anil
Gente, não entendo, gente, nada nos viu
Gente, espelho de estrelas, reflexo de esplendor
Se as estrelas, são tantas, só mesmo amor
Maurício, Lucilla, Gildásio, Ivonete, Agripino,
Gracinha, Zezé
Gente, espelho da vida, doce mistério
Queria
fazer uma lista com todos os nomes de quem faz contato comigo.
Um beijo especial para Gigi
que lembrou de fazer um post para os amigos e para o Raphael,
que mandou uma mensagem na sexta-feira. Com esses dois nomes
de amigos, represento todos que comentam e os que escrevem
e-mails. É isso aí! Adoro gente!
amanheci em noite de chuva
amanheci com mil sóis em meu sorriso
amanheci longe de mim
amanheci onde não me situo
amanheci com mil poesias rompendo desejos
amanheci pra passar mil e uma noites contigo
amanheci em um conto
em qualquer país encantado
Onde
queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro
sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo
queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem
alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade
na amplidão
Onde
queres família sou maluco, e onde queres romântico,
burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco,
garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês
eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres
cowboy eu sou chinês
Ah,
bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde
queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura
eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o
anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura,
mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres
bandido eu sou o herói
Eu
queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima
prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica
e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só
que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero
e não queres como és
Ah,
bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde
queres comício, flipper vídeo, e onde queres
romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres
um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro
eu sou obus
O
quereres e o estares sempre a fim do que em mim é
de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres
assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter
fim
E querendo te aprender o total do querer que há e
do que não há em mim
De
todas as vezes que morri, a que doeu mais, foi há
5 minutos
de um dia qualquer.
Não estranhe o tempo. Não situe. Não
procure razões.
Faz 5 minutos
que lembrei. 5
minutos que doeu outra vez.
Tenho 5 minutos
para inventar mais um final trágico.
Não aceito morrer de morte banal.
Vou abrir um periódico da pior qualidade e escolher
a pior notícia,
para anunciar que meu corpo foi : esquartejado, dilacerado,
esmigalhado, atropelado, afogado, retalhado, esfaqueado,
partido...
Quero dor física para esquecer a outra. Meus 5
minutos para não pensar em nada.
Sei que tenho 5
minutos futuros de um dia qualquer, para amar outra vez
e morrer definitivamente.
Cansei da sobrevida de morte por amor.
Por 5 minutos
toda dignidade se esvaiu de mim.
Chorei
por20 anos
e depois não tive nem 20
minutos para abrir meu guarda-roupa,
antes de sair para a vida e vestir aquele disfarce de
parecer feliz.
O tempo quase se esgota e onde diabos, enfiei aquele óculos
preto?
Não posso correr risco. Um olhar me trai.
Comments:
"Não existe o tempo. Existe o passar do tempo"
- Millôr
Rio
de Janeiro, 10 e 11 de julho de 2003
PELE
Ela
é tua.
Te escolhi para me doar viva.
Toma a minha pele.
Quero te pertencer.
Não ria.
Já tens o arrepio,
que os pelos eriçados denunciam,
em calafrios de febre in corpore sano.
Fica com ela que já se oferece em matizes.
Te dou o vermelho do rubor do depois
e da expectativa do antes.
Leva definitivamente a palidez
de cada ausência tua
e a brancura do susto
a cada certeza
de tudo o que não sei.
Te aventura por meus poros
com memórias de sal.
Descubra-me inteira.
Quero me despertencer
do pouco de meu,
que ainda não te dei.
Bom
dia, Helô!
Consegui
cumprimentar antes!
Obrigada, irmã de coração
aluguel
- garagem - fazer as fotos da vitrine nova(?)
velha (?) nova da loja - marcar os exames - visitar
os mais de 100 links e colocar novos na template -
terminar o presente da Perolada
( enviar ) - cinema ( O
Homem que Copiava - nota 11)- ler todas poesias da Ticcia
- escrever para o Collectanea
- nunca deixar de comentar como gosto do
Iosif -terminar de escrever as mensagens que estão
nos rascunhos - responder aos e-mails da pasta Responder
- responder aos e-mails da pasta Responder Mesmo
- visitar as novas visitas - cortar o cabelo
- visitar o tio - procurar aquilo que esqueci o nome
- escrever uma poesia (?) ( cadê inspiração?)
-comprar aquele disco - dentista - terminar esse
post e publicar logo porque entenderam que abandonastes
o blog ( não(!) o
fotolog é mais um brinquedo
- fazer novas fotos para lá -
votar sempre na Maira
- indicar essa
petição que vi na Clau
- digitar menos e menos - conversar com Meg
________________________________( espaço para coisas
que esqueci) etc e tal ... ???
Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão
-Dá tua mão
-Olha pra mim
-Não faz assim
-Não vai lá não
Os
letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir
Já
te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na
galeria
Cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
Não
sumi. Só preciso de tempo e aprender a me multiplicar.
Fazer isso com a imagem é fácil. Fico em exposição.
Não
adianta. Não tenho cura. Sou micro dependente.
Voei para lá
Tenho algumas fotos guardadas e quem tem uma gata que adora
posar, nunca vai ficar sem
material. Adivinha quem me achou quando eu ainda testava o
brinquedinho? Só podia ser
ela
- Cora,
quem inventou a piada do Ibest foi o
Ina. Meu colega de tendinite. Por que será? :-P
Já volto. Estou cheia de novidades e sem tempo. Vou
até adiantar o assunto. Na volta preencho essas linhas.
A
Sue e a Áurea
esperam, mas podiam dar uma lida na versão do
Zuenir. Eu não perdi.
Um post para o futuro ou
vale-post ( acho que isso é inédito )
Artigo de André
Machado publicado no Globo sobre o acesso à informática
a pessoas portadoras de deficiência. Soube antes,
porque sempre leio o excelente
Maré da Tchela. Comentei que gostaria de ver
os depoimentos que ela dá, divulgados por mais pessoas.
Palavras
da
Marcela"Fico mesmo muito feliz por ver a preocupação
da mídia em divulgar esse tipo de informação,
pois é uma das formas de mostrar que limitações
são vencidas quando existem pessoas interessadas
em que isso aconteça"
- Será que dá tempo de eu chegar na cidade?
Que dia!!! Na volta visito todo mundo, ok ( não vou
botar interrogação) Ah,
cidade é como chamam o centro do Rio de Janeiro.
Vou pelo link subterrâneo. Não pude nem passar
lá no
Chefe.
Rio
de Janeiro, 1 e 2 de julho de 2003
( e amanhã )
esteja
onde estiver, lembrar-me-ei de ti.
"Não
posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.
Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.
Quero
que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua"
Pedro
Abrunhosa
Hoje
é um dia triste. Um dia em que tenho que dizer até
breve para um amigo aqui desse
mundo dos blogs. Vou deixar sem comentários e amanhã
atualizo. Até a volta, guri.
Beijinhosssssssssssss
Rio de Janeiro, 30 de junho de 2003
Estou
voando por aí
Desculpem
pela mega-exposição da minha pessoa. Tinha
feito essa colagem para outra coisa e acabei não
usando. Fico preocupada com a "preocupação"
de vocês e fico encantada com o carinho. Não
vou sumir. Só vou diminuir o número de visitas
que faço por dia.
Por coincidência, estou com uma amiga hospedada esse
final de semana. Resolvi aparecer para que minha ausência
não seja tomada por uma gravidade do quadro. Estou
com a "asa" um pouco prejudicada, mas dá
para voar e para tratar. Não se iludam. Eu não
vou desaparecer e nem dar um tempo. Não estou discutindo
a relação. Ninguém se livra de mim
assim tão fácil.
Matusca sabe muito bem o poder da Cleo
e vejam o presente que ganhei esta manhã.
--Pensou
que eu não ia colocar outra versão aqui no
Postal e passar mais uma cantada?
Sou uma das namoradaS
oficiais do sarcófago
. Acham que vou deixar o meu lugar para outras?
CrisCleo só uma ou duas
em uma.
-- Matu, pode escolher o tango.
Se o papo não faz sentido é só porque
perdem tempo por aqui e não sabem que a coisa que
mais gosto nesse
mundo dos blogs, é esse espaço dos comentários.
Lá vou eu, mas logo atualizo o blog e apareço
nos
blogtecos amigos.
Gica está aqui do lado aflita. Vou ali no boteco
da esquina e já volto!!!!
Sim, a vida real me chama . É ruiva, sardenta e impaciente!!!
update
sem mudar o post: estou com pressa e com preguiça.
Já não tenho dedos pra contar digitar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei
Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer Nem
sempre é "so easy"se viver
Hoje eu não consigo mais me lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei
Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
Quase nunca a vida é um balão
Mas o
teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no meu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem
Tudo
Bem
Lulu
Santos
Fauna in La Mancha
de
Vladimir Kush
Achei
que essa música é perfeita para dizer que
está tudo bem, apesar de.
Melhor dar um pequena explicação para quem
passa aqui e não comenta.
Ontem fui ao médico porque acho(?) que estou com
tendinite (e ou, bursite).
Tenho dito isso em alguns comentários e assim explico
porquê (?) tenho escrito menos e comentado menos.
Surgiram perguntas e dou notícia para todos. Ele
pediu exames e recomendou moderação. Vou
tentar obedecer. Quando tiver o resultado, volto
lá. Simples.
Ando muito cansada também. Acho que com isso acabo
não sendo clara e muitas vezes não sou compreendida.
Dedico esse dia para Ronaldo
que me conhece há tantos anos e sabe bem
como sou e para outra amiga, que nunca me viu pessoalmente,
mas que me acompanha o tempo inteiro. Só eu sei
o quanto ela me ajuda. São dois exemplos de ética.
É por isso que não digo o nome dela.
Vou ali dormir um pouco e já volto ;-)
...e
antes que eu esqueça,
Bom dia,
Cora
Bom dia amigos
Bom dia em qualquer turno!!!
Ama-me
por frases esparsas,
detalhes,
confidências,
fragmentos
por flashes,
insights,
minha versão pop...
Ama-me lá por 1827,
quando combinei
nosso encontro.
Ama-me por pensamentos desconexos,
contradições no quebrar de uma vírgula,
no salto cego para o próximo parágrafo.
Ama-me por meus silêncios raros,
egoístas,
por ser prolixa.
Ama-me do outro lado da calçada,
que atravessei sem olhar para o sinal.
Sim, aconteceu ontem.
Ama-me por ser real
e por fingir que sou humilde,
assumindo imperfeições.
Ama-me quando achar que é delírio.
Ama-me até quando uso o tempo
e sou imperativa.
Ama!
Despudoramente
revelo
para atiçar a tua gula
Meus seios
tem a medida do teu desejo
Peca sem culpa
Faço-me deusa profana
e te absolvo
do nada
Meu corpo é teu templo
Adora
Sugestão
de leitura: A
Estética do Frio
Confesso que não consegui selecionar uma parte. Acho
o texto brilhante e prefiro que Vitor
Ramil fale por mim. Coloco uma parte da letra de uma
das músicas. A que tem o nome da cidade em que nasci.
"Só, caminho pelas ruas
Como quem repete um mantra
O vento encharca os olhos
O frio me traz alegria
Faço um filme da cidade
Sob a lente do meu olho verde
Nada escapa da minha visão.
Muito antes das charqueadas
Da invasão de Zeca Netto
Eu existo em Satolep
E nela serei pra sempre
O nome de cada pedra
E as luzes perdidas na neblina
Quem viver verá que estou ali"
Tenho
saudade das noites frias em que atravessávamos a
cidade, mergulhados numa neblina que as vezes não
deixava ver onde a calçada terminava. Nasci numa
segunda-feira fria e chuvosa. Lembro sempre desses dias
quando o calendário diz que é inverno. Naturalmente
busco essa
música do Vitor
e me transporto para Pelotas.
Se não entrar nenhum cálculo de física,
vôo nesse avião e ainda transformo
num barquinho para navegar.
Se estiver apaixonada, faço aquele joguinho de
enfiar nos dedos. Se a resposta for boa, acredito. Se não
corresponder ao meu sonho, faço uma bolinha de papel
e brinco com a minha gata.
Vivendo e aprendendo a levar.
Insana quebrei todos os relógios.
Joguei pela janela a ampulheta que
ganhei do meu avô.
Corri do quarto para a sala e
com um puxão, desliguei o vídeo e a TV.
Atirei na lixeira a agenda.
Rasguei todos os calendários.
Lembrei até dos que colei na porta da geladeira.
Aproveitei que estava na cozinha e
procurei o maldito disjuntor.
Com um só gesto, dei
fim a todos sinais luminosos.
Perfeito. O
tempo que ali habitava, parou.
Quando você chegar não vai perceber que criei
um dia eterno para ficar contigo.
Faço valer aquele final: E foram felizes para sempre.
Vem,
meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah,
eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus
Edu dentro do carro parado. Está impaciente. Olha
para cima através do vidro da frente do carro. Plano
abre e sai do rosto de Edu. Passa pelo carro preso num engarrafamento
na Avenida Presidente Vargas. Passa por um acidente de carro
e segue até fechar no relógio da Central do
Brasil. Edu espia de longe. Não consegue ver a hora
e fica irritado. Leva um susto quando um vendedor de balas
bate no vidro do carro. Edu não abre. Surge outro
menino no vidro da frente oferecendo qualquer coisa. Uma
buzina desperta Edu e o trânsito anda. O carro segue.
Pela janelas cenas passam rapidamente num ritmo como se
vistas da janela de um trem: um grupo de meninos de rua,
o acidente com o carro, detalhes do socorro, carros, ônibus,
motos...Tudo acompanhado pelo som de um trem. A imagem de
um trem real em movimento é intercalada com esses
flashs do trânsito. O carro de Edu pára e o
trem também. Plano fechado nas rodas e no trilho.
Na frente da Estação ele olha pelo vidro e
vê o relógio mais perto. Um flanelinha chega
e atrapalha a descida com uma conversa. Gesto de descontentamento
sugerindo algum acordo. Edu consegue se livrar e tenta atravessar
a rua. O movimento intenso não permite e é
obrigado a caminhar algumas quadras até o sinal,
que demora a abrir. Uma senhora pergunta as horas. Olha
outra vez para o relógio da Central, que está
cada vez mais longe. Abre o sinal. Atravessa e caminha apressado
na multidão. Câmera subjetiva mostra o relógio
que vai enchendo a tela. Fade.
Pessoas caminham na plataforma no sentido contrário.
Edu esbarra em homem que vende bilhetes da loteria. De repente
a multidão some. Edu vê Clara de longe. Sorri
aliviado. Antes de caminhar obseva que um homem chega e
abraça Clara. Surpreso e atordoado procura se esconder.
Caminha até o vagão parado e vazio que está
do lado. Anda por dentro dele e através das janelas
a imagem do casal, cada vez fica mais próxima. Pára.
Clara e o homem estão de costas. Quando vai dizer
o nome dela o trem parte e sufoca a sua voz. Edu segue clandestino
em um vagão vazio. Senta e pela janela vê o
casal na plataforma. A imagem vai desaparecendo e aos poucos
vai surgindo o relógio da Central do Brasil cada
vez mais distante. Edu olha a aliança. Fade in
arranca
pode tirar
não deixa nada
nem dó
piedade
exorciza
bate tambor
leva para o rio
pega minha cabeça
puxa o cabelo
mergulha
seja o que batiza
muda meu nome
faz qualquer coisa
só não me abandona
numa encruzilhada
quando o demônio
chegar
não vai ter pacto
os demônios que moram em mim
vão gargalhar
da tua inocência
dilacera
com o silêncio
dá certo
já falei
só isso me
mata
porque as palavras
são a minha confissão
se emudeço
tens a honra de ser o vencedor
quase morta
arrumo forças
para dizer
--tenho pena de ti
mais um vez
estou salva
Vem que te enlaço com palavras
Quantas voltas vou ter que dar?
Será que ato
e dou laço forte?
Nesse diálogo,
desato ou crio nó?
Será que uso o plural estabeleço o elo - nós?
Se falo
serei a que conduz a uma bomba?
Espoleta
que não sabe o poder
Serei um festejo junino
ou presságio de uma destruição?
Queria ser cordel
para pendurar minhas linhas
e rimas
Parecer simples
sem ser
Dou outra volta
descomplico e sou
Será que te desoriento
como a pandorga
que se perdeu do barbante?
Será que cortei tua mão?
Não sabia
Não era a minha intenção
Não domino a emoção
Ainda bem
Agora quem está com um nó nas idéias
sou eu
Falei
Não depende mais de mim
Escolha
Leia com o coração
Leia com a razão
Diga depois por onde te conduzi
Se emudeces
tenho outro nó
Não sei se te perdi
ou a emoção
calou